jueves, 8 de agosto de 2013

A Ilha dos fantasmas.


 A ILHA DOS FANTASMAS

   A Ilha de Mallorca não é propícia para os fantasmas. O seu clima Mediterrâneo, o sol, o azul do céu e do mar, fazem que a nossa ilha seja por demais transparente e diáfana para aqueles que crêem nos fantasmas, mas mesmo assim existem fatos curiosos que tenho a vontade de contar para quem queira ouvir.
   O fantasma próprio da ilha, vamos aquele com marca de fábrica é a “bubota”, assim como soa.
   Esse fantasma tinha variedades, havia os do cemitério, das ruas, do campo e as do contrabando.
   Esse fantasma (”bubota”) é o típico de lençol branco e que faz : Buuuuuuh!
   Nos tempos passados, a falta de luz elétrica nas casas e nas ruas permitia à imaginação e medo da gente diante de qualquer coisa desconhecida. Eram tempos de vacas fracas (mais ou menos como agora) onde um dos meios de subsistência da gente era o contrabando de tabaco. Esse se fazia de noite e como estavam perseguidos pela lei, muitos contrabandistas punha-se uma peça de roupa grande que escondia a identidade e o gênero que transportava e assim tínhamos o fantasma que a gente ingênua podia ver pela noite.
   Outras dessas “bubotas” eram pessoas que tinham relações sentimentais não aceitadas pela sociedade, ou algum que outro que gostava de fazer brincadeira assustando aos vizinhos.
   Coisa diferente são as almas (“animes”), onde entram a presença dos defuntos e de outros seres vindos do além.
   Existem muitos lugares geográficos que registram feitos relacionados com isso: “Coll de sés animes”, “Sa cova de ses animes”, “Lloc de ses animes”, “Hort de ses animes”, “Carrer de ses animes” i “Talaia de ses animes”. Essa última é a que eu vou contar a estória:
   Pela estrada que circula a Serra de Tramuntana e que vai de Banyalbufar até Estellencs se acha  uma belíssima torre sobre um penhasco e que para entrar nela se tem que passar por um pequeno e vertiginoso ponte, essa torre data do século XVII e servia de vigilância pela vinda de possíveis piratas que nessa época infestavam estes mares.
   Essa torre hoje em dia se chama “Torre de ses ànimes”, cujo nome verdadeiro é “Torre dês Verger”. O nome de “Torre ou talaia de ses ànimes”, que significa Torre das almas é uma mudança do topônimo de lugar. A torre que de verdade tem esse nome é a da “posessió” (uma espécie de fazenda) chamada “Rafal de Planície” e vem duma estória em realidade surpreendente e terrífica.
   Era o mês de outubro de 1763, começou a sentirem-se vozes e ruídos nas casas. Os empregados avisaram ao proprietário, o marquês Nicolas de Pueyo y Pueyo. Esse veio para verificar o que passava e relatou numa carta o que presenciou na torre.
Preparou-se um quarto na torre para o marquês e outro para um cabo de guardiã, D. Guillermo Rosselló.
   A primeira noite depois dum certo tempo, começou ruídos e golpes, passo e confuso alvoroço. Depois disso, ouviu-se arrastar cadeias e com uma força enorme empurrava a porta, que estava fechada, até abri-la. O marques saiu do quarto no meio da escuridão mas ainda escutava golpes e ruídos que baixavam as escadas de caracol da torre, voltou de novo ao quarto e contando ele mesmo assim: “Comenzó a correrse el cerrojo de la escalera com tanta frecuencia y priesa que no es decible. Creció com eso mi cuidado y mucho más al pronunciar uma voz varonil:¡Ay, Jesús! ¡Ay, Jesús! (…) pero lo seco del gemido con probabilidad me hizo juzgar que allí mismo se articulaba el eco más lamentable que espero oír, sentía el triste ronquido del pecho, y al decir de las palabras el melancólico suspiro y horroroso llanto con que los acompañaba.”
   Quanto ao outro ocupante da torre, o cabo, era testemunho dos mesmos alvoroços com o agravante de numerosos efeitos de “poltergeist”, diante dele se moviam diferentes objetos num baile macabro.
   “A todo lo referido- añade Nicolas de Pueyo y Pueyo- se añade que el hombre que cuida del Rafal, habiéndose quedado aquella noche fuera y restituyéndose una hora antes de amanecer, oyó gritar de nuestros cuartos:”¿¡¡Qué hacéis, no traéis luz?!!” Y que Pedro Ripio vio desde el mar bajar una gran luz que de la torre se dirigía a Banyalbufar, siendo cierto que nadie habló ni se movió en toda la noche.”
   Esses fatos estão registrados numa carta de punho e letra do Senhor Marquês, um homem de cultura e prestígio, que não se deixaria enganar por ilusões ou brincadeiras.
Outros fatos passaram em outra “possessió”. Nessas casas os trabalhadores se reuniam nas noites de inverno diante duma enorme lareira para jantar, rezar e contar contos, esse de medo durante a noite dos dias de Todos os Santos e defuntos (1 e 2 de novembro).
Estavam as pessoas mais velhas, mulheres, jovens e crianças perto do fogo, quando ouviram ruídos encima das suas cabeças. Pouco a pouco aumentaram os ruídos, os campesinos e as crianças estavam assustados, mais tarde se ouve soar os badalos que levam os animais no pescoço e que estavam naquela sala. Soavam com certo ritmo como se alguém os tocasse.
   Ninguém se queria mover, o medo paralisava o pessoal, até que o mais velho deles apanhou uma bengala, e começou a subir e qual no foi a sua surpresa: O fantasma era um gato que estava fechado na sala e que brincava com os badalos das ovelhas, que estavam pendurados na parede. Nesse caso o fantasma tinha nome, a do gatinho da fazenda.
Fonte:Tradição popular e “Mallorca Mágica” de Carlos Garrido.



    



miércoles, 20 de abril de 2011

A Ilha Antiga-4


O COELHO GIGANTE


Ainda que nós estejamos em tempo de Páscoa, nao vou falar dos coelhos e ovos de chocolate, senao dum animal de verdade, que existiu em tempos antigos na ilha de Menorca.
Menorca é a segunda ilha em tamanho do Arquipélago das Baleares. Ecologicamente é a mais sustentável e a que sofreu menos a pressao urbanística desenfreada, também nela conservaram-se melhor os monumentos pré-históricos, com originalidades como as "taulas" ou os poços escavados na roca viva como o da "Patarrà" assim como outros elementos próprios dos seus habitantes daquela época.
Mas vamos ao coelho, o animalzinho, ou melhor, animalao, viveu faz uns cinco milhoes de anos nessa ilha, ele pesava perto de 15 quilos, coisa que se via favorecida pela falta de depredadores, assim que nao tinha bom ouvido, nem saltava como os coelhos de hoje em dia.
Dizem que nas ilhas, a falta de inimigos propicia que os animais pequenos se mudam em grandes e vice-versa. Assim que temos coelhos gigantes (Nuralagus Rex), tartarugas gigantes e bois anoes etc.
O coelho se movia com as palmas das maos, retinha mais gordura e filtrava mais elementos nutritivos e se crê que a vinda do "myotragus", uma espécie de cabra-rata que viveu em Mallorca foi a causa da sua desapariçao.
Vamos que hoje em dia o tal coelho seria a estrela de uns dos pratos típicos da nossa cozinha: Coelho com cebola (conill amb ceba).
Boa Páscoa e visca el Barça!

Foto: Fóssils dos ossos de esquerda a direita: Myotragus, coelho gigante e coelho de campo.
Recreaçao do coelho gigante e o seu hábitat.


lunes, 13 de septiembre de 2010

A ILHA DO PATRIMONIO DA HUMANIDADE

A ILHA DO PATRIMONIO DA HUMANIDADE

A “Serra de tramuntana”

Essa espinha dorsal que vai de norte a oeste e que protege a nossa ilha dum clima mais extremo, está sendo pedido à UNESCO, por parte da “Conselleria de Mallorca” como Patrimônio da Humanidade no apartado cultural.

Podia escrever muitas coisas sobre ela, tenho a sorte de viver nela e conhecê-la bastante bem, pois tanto como excursionista, ou amante da pré-história a tenho percorrido durante anos, botando o narizinho em lugares maravilhosos, tanto paisagísticos como arqueológicos, etnológicos e religiosos.

Numerar as suas riquezas seria muito extensivo, mas direi que essa serra é a zona com maior pluviosidade da ilha e graças a ela, temos água e até neve no inverno.

A sua maior altura, 1450m. é o “Puig Major” que até faz pouco teve uma base de radar dos americanos (USA).

No seu seio tem a “lluc” lugar onde a tradição conta a aparição duma virgem, a “Verge de LLuc”, em que se fez um mosteiro e vai em peregrinação o pova da ilha de Mallorca e também de Menorca, Eivissa e Formentera.

Lendas e milagres que enchem o vale onde se acha o mosteiro, unido a antigas crenças dos tempos pré-históricos re romanos.

“Lluc” vem do latim “Lucus” (bosque sagrado).

Também na Serra se cultivou e se cultiva a oliveira, da qual se extrae o azeite e as azeitonas, da qual se faz o excelente “Pa amb oli” (pão com azeite) tão apreciado na nossa gastronomia.

Para manter a terra nas montanhas, a vezes muito inclinadas, se constrói paredes de pedra, “marges” unidos sem cimento, isso é em seco. Formam uma paisagem humanizada, porém de tal forma adaptada à natureza que eu até pensava que era natural e não feito pelos homens.

Dessa beleza toda, eu tenho um pedacinho, ali na montanha. Essa mesma que, segundo a lenda, os habitantes de Fornalutx subiam, nas noites de lua cheia, intentando com um bambu, apanhar a lua.

Ou a gente de Biniaraix, como o meu pai, que viam nascer o sol duas vezes, e se gabavam disso.

A foto do princípio é um “porxo” (casinha feita de pedra, o meu pai dizia que a nossa, essa da foto, tinha 200 anos) onde se guardava os sacos das azeitonas e as ferramentas para trabalhar à terra, e também como não, era um lugar para refugiar-se do frio e da chuva.

Nós temos esse pedacinho, com algumas oliveiras e vista ao “Barranc de Biniaraix”.

Se for patrimônio ou não, não sei, mas não importa. O mundo é nosso patrimônio, nossa casa, e alguma vez parece que esquecemos isso.

“Serra de Tramuntana”: Patrimônio da Humanidade.

miércoles, 31 de marzo de 2010

A ILHA DA CORRUPÇAO


3.000.000 DE EUROS OU A RAPÔSA DENTRO DO GALINHEIRO.
Quem pudera ter essa quantidade de dinheiro para fazer coisas, nao só para um mesmo, senao pela sua cidade.
Com esse dinheiro se podiam fazer muitas coisas: Uma escola, um teatro, um lugar para os jovens, um cinema, uma fábrica, um lugar para feiras de inverno, uma excavaçao arqueológica, atividades culturais, tratamento dental para as crianças, informatizar as aulas etc.
Pode que nao desse para tudo, mas alguns projetos podiam fazer-se...
Mas tudo isso é especulaçao, pois esse dinheiro, por supôsto nao é meu, é o que tem de pagar o ex-presidente da nossa comunidade autônoma das Ilhas Balears, Jaume Matas.
Esse dinheiro foi pôsto como fiança pelo juiz José Castro para evitar a prisao preventiva por uma série de delitos de malversaçao de dinheiro público, fraude fiscal, enriquecimento privado a costa dos recursos da comunidade, uso de fundos comuns para financiar o seu partido político: PP (partido popular) etc.
Uma vergonha para toda a nossa comunidade, ainda que os seguidores do PP usem a disculpa: Que todos os políticos sao iguais.
Sabemos que o poder corrompe e a democracia é um sistema que intenta a auto-regulaçao a través duma série de partidos políticos que deveriam vigiar e fiscalizar o govêrno de turno.
Esse sistema, quando um grupo político conserva muito tempo o poder, como no caso do PP nas Ilhas faz que apareçam personagens que aproveitam a situaçao para o seu benefício pessoal.
Jaume Matas é um desses indivíduos que subiu ao poder traindo a gente do seu próprio partido, depois, usando influências, conseguiu escapar duas vezes da justiça, sendo nomeado Ministro de meio ambiente do último govêrno de Aznar, quando houve o desastre do "Prestige" (petroleiro que naufragou diante das costas de Galícia).
O seu govêrno das Ilhas se caracterizou por uma política de destruiçao territorial (autovias, edifícios, apartamentos, urbanizaçoes, etc.) Favorecendo a construçao, a vinda de imigrantes, a especulaçao territorial, beneficiando grandes empresas construtoras de "amigos" seus etc. Sua última obra faraônica ficou em projeto, graças a Deus: Um teatro de ópera no meio da Baía de Palma.
Porém nessa orgia construtora, achou o seu "Sao Martim", foi na cosntruçao dum velódromo onde o sujeito se pegou as maos, com um custo muito superior e sem justificar, ele desviou o dinheiro para sí (50.000.000 €), e com ele comprou um palácio com uma decoraçao caríssima, se até a escovinha do sanitário valia 375 euros.
Quando perdeu as últimas eleiçoes, o novo govêrno achou a confusao, e a justiça parece que ao fim despertou.
Hoje sinto que posso confiar na justiça, estou orgulhosa dos seus fiscais e dos seus juízes.
Esse caso, porém, nao é o único, muitos outros políticos/as da Ilha estao implicados em outros casos de corrupçao.
Um dos mais soados foi o da caixa de Cola Cao, uma caixa desse batido de chocolate que continha dinheiro (200.000 euros) estava enterrada no jardim de Antonia Ordinas, mulher de confiança de Jaume Matas (e como se vê, excelente discípula).
Podiamos numerar muitos outros casos, mas as palavras do Juiz Castro o dizem tudo: Era "uma rapôsa dentro do galinheiro". Foto: Diario de Mallorca.

martes, 16 de febrero de 2010

A ILHA DO AMOR


"Sa Cova d'en Xoroi" (Uma estória de amor)
Menorca é a segunda ilha maior do Arquipélago das Ilhas Baleares.
Na semana passada ficou toda branca pela neve desse inverno duro e largo. Também o passado domingo foi o dia de Sao Valentim, dia dos namorados.
Esses dois fatos me fizeram lembrar uma estória de amor que teve lugar nessas terras e que deu lugar a um topônimo, que hoje em dia ainda segue vivo: "Sa cova d'en Xoroi".
Faz muito tempo, depois da conquista das Ilha pelo Rei Jaume Iº e da sua colonizaçao pelos cristaos catalaes, os mouros que nela habitavam foram-se, os que puderam, outros morreram e alguns ficaram como escravos, eles e os seus descendentes, trabalhando no campo ou como criados.
Por essa época, nas fazendas e vilas, começou uma etapa de roubos pequenos: alimentos, roupas e diferentes objetos; que no princípio nao preocupou as autoridades.
O tempo foi passando e um dia, uma mocinha de Biniedris (nome duma casa de campo) desapareceu misteriosamente.
Esse feito abalou as fazendas e vilas e também as autoridades que começaram a investigar tao estranha desapariçao.
Mas o tempo foi passando e nada mais se soube da donzela.
Os pequenos furtos e roubos foram seguindo e as hipóteses sobre os autores geravam dúvidas e contradiçoes.
Até que um dia uma grande nevada se abatiu sobre Menorca e a gente do povo viu que se tinha roubado numa fazenda vizinha, comida e roupa.
As autoridades seguiram as pisadas que havia sobre a neve fresca que cobria todo o chao e que os levava até um precipício que dava ao mar.
Aí, nesse abismo, se abria uma grande cova. Com cordas baixaram e alí estava um mouro que protegendo umas crianças e uma mulher lutava desesperadamente.
Era uma luta desigual, sentiu-se tao assustado que apanhou a maozinha do seu filho mais velho e se tirou ao mar.
Repararam que lhe faltava uma orelha (que na língua catalana se diz "xoroi" a quem tem uma orelha menos, também se sabe que os mouro cortavam uma orelha a quem dizia uma mentira).
Naquela cova tao grande, tinha vivido o mouro com a mocinha de Biniedris e o fruto do seu amor: tres filhinhos.
Nao sabemos o que passou depois, imaginamos que a mulher se refugiou com a sua família ou quem sabe foi repudiada pela sociedade, dizem que ainda existem os seus descendentes.
O que sei, já que visitei a cova, que agora tem um acesso mais fácil, ainda que perigoso, é que se converteu em uma "discoteca" (boate).
De certa forma ainda acolhe um ninho de amor. Um ninho no meio do precipício e com vistas ao mar Mediterrâneo, uma vista magnífica!
"Sa Cova d'en Xoroi" segue sendo um lugar de lenda.

jueves, 17 de diciembre de 2009

A ILHA DA ILHA

SÓLLER
"Una illa dins una illa". Uma ilha dentro de outra ilha, essa podia ser a definiçao da minha cidade.
As suas características geográficas, um vale entre montanhas, fez que durante séculos vivesse longe das outras vilas e cidades de Mallorca, o que lhe deu um caráter próprio e um jeito bem especial.
Esse feito de estar rodeada de montanhas (Serra de Tramuntana e Serra des teix) e grandes torrentes, muitas fontes e uma populaçao estável, fez até um micro clima (muitas chuvas e até neve no inverno e épocas de secagem no verao).
O clima e a geografia marcaram o caráter e as circunstâncias vitais da sua gente.
Mas vamos por partes: Sóller foi habitada desde a pré-história, os habitantes mais antigos de Mallorca acharam-se nos seus terrenos (Cova de Muleta), o feito é que desde o calco lítico, bronze antigo e idade de ferro, há vestígios, desde covas de enterramento até restos de "talaiots" e hábitats, em mal estado pelo uso da pedra na construçao de terraços (marges) para agüentar a terra e das casas, feitas de pedra.
Até o seu topônimo: "Sóller" se considera uma palavra da língua desaparecida desses primeiros habitantes.
Da época romana, ficou pouca coisa, moedas e algum outro resto material.
Do domínio mulçumano, parece que herdamos toda uma tradiçao de canais de água para o regado (sèquias, qanats), que como veias levavam às aguas para os diferentes hortos e jardins da cidade.
Também dessa época nos resta muitos nomes de lugares como "Biniaraix" (onde naceu o meu pai), "Binidorm", "Binibassí" etc. onde "Bini" teria o significado de filho ou penha.
Da conquista do rei Jaume I de Catalunha e Aragó e a posterior colonizaçao vem a nossa língua (catalana), os costumes, os sobrenomes, as tradiçoes, a fundaçao das cidades, vilas, igrejas, conventos, ruas etc.
Ao redor de 1236 aparece a primeira igreja de Sóller, onde agora existe a atual e até os anos 1553/1561, a cidade foi crecendo, porém nessa época, o constante ataque dos piratas, que entravam pelo Pôrto de Sóller, obrigou a botar portas e fortificar a igreja, que ainda conserva parte da muralha nos nosso dias.
A batalha dos 11 de maio de 1561 foi tao importante para a história da nossa cidade que ainda hoje em dia se lembra através duma recreaçao onde participa os seus habitantes, vestindo tanto como piratas como cristaos e fazendo uma festa tanto colorida como barulhenta (pelas armas de fogo), que recreiam as lutas e por suposto a vitória dos Sollerics, onde se repete gritos como :"Moros en terra, moros en guerra".

jueves, 15 de octubre de 2009

A Ilha Ecológica 3




A ILHA DA VIDA:




"A vida tem fome...


Fome de vida..."
Fotos: Joan Maiol.



miércoles, 3 de junio de 2009

A ILHA DA GENTE-3

AS MAES
É muito interessante numa sociedade como a malhorquina, ver como tem evoluído o papel da mulher.
Na zona do Mediterrâneo, a mulher sempre teve o seu peso ainda que submetido ao do homem.
Esse papel se tem modificado de tal forma que até temos presidentas, as das diferentes ilhas, e hoje as de Mallorca e Menorca.
Porém nao é só na política, senao em todos os setores, desde a medicina, universidade, educaçao, indústria, agricultura, comércio e turismo, essa última, a indústria com mais poder nas ilhas.
Esse papel, cada vez mais preponderante e ativo, ainda tem que ganhar muitos obstáculos, mas vai adiante.
Uma coisa, porém nao tem mudado em todo esse tempo, o papel da mae.
Os novos tipos de família, as relaçoes pessoais, as novas maneiras de concepçao, as técnicas de fertilizaçao, a adoçao etc. Tudo isso se tem diversificado e aumentado, mas o conceito de mae é o mesmo e se resume em uma palavra: Amor.
Os antigos romanos diziam que as maes da época pré-histórica de Mallorca (a cultura dos talaiots), botavam a merenda das crianças num galho alto duma árvore que os meninos tinham que derrubar tirando uma pedra com uma funda e só assim eles podiam comer.
As fundas eram armas feitas com uma corda, caracterísiticas da "cultura talaiótica", que tirava pedras ou peças de chumbo como artilharia.
A fama dos "balears", como eram conhecidos pelos romanos e daí vem o nome do arquipélago: Ilhas Baleares, era tao grande que se lhes atribuía tal força que a pedra com o roce do ar, fazia faíscas!
E esse uso das fundas os levaram como mercedários a lutar com os púnicos e depois com os romanos.
Por isso era importante que a criançada tivesse boa pontaria e soubesse usar bem as fundas, disso dependia o seu futuro.
Pode que as maes de hoje aprendamos um pouco das maes "talaióticas". Os nossos filhos, sobre protegidos, com muitas coisas, precisam entender que é preciso lutar, somente conseguir, com seu esfôrço: "a sua merenda".
A foto é da minha mae, minha maravilhosa mae, que faz muitos anos que nao está connosco.

miércoles, 22 de abril de 2009

A ILHA ECOLÓGICA-2


DIA DA NOSSA TERRA


O que podemos fazer por ela?

Muitas coisas, pois o que façamos por ela o faremos para todos nós.

Nós fazemos reciclagem.

martes, 31 de marzo de 2009

A ILHA DA PRIMAVERA



A VIDA E A MORTE

Com a chegada da primavera, nessa parte do mundo onde vivo que coincide com as festas de Páscoa, vemos como a vida vai-se desabrochando por todos os lados, desde os animais, flores e insetos até nós mesmos, que sentimos a vontade de sair, tomar o sol e respirar o ar puro.

Nesse meu passeio, cheguei ao outro lado, isso é, na morada dos mortos, no cemitério da minha cidade e eis que apanhei uma foto dum grupo escultórico dum dos mais conhecidos escultores catalao: Josep Llimona i Bruguera (1864-1934).

Esse escultor, modernista, tem muitas obras, especialmente em Barcelona. Uma das quais, "Desconsol" (situada no meio dum estanque do "Parc de la Ciutadella") já me tinha feito até chorar.

Nessa composiçao, onde estao Joao, Maria, Jesus morto e Maria Madalena, se desprende um grande sentimento de pena e de dor, mas também de resignaçao.

A escultura, no cemitério e o cantar dos pássaros junto com o vôo dos insetos me fez reflexionar em quanto grande é o mitério da vida e da morte, tao contraditórios, mas tao próximos à sua vez.

lunes, 9 de marzo de 2009

A ILHA DA GENTE- 2


JOSEP MASCARÓ PASSARIUS
(Alaior, Menorca 1923- Palma 1996)
Existem pessoas que viveram no passado, porém falaram do futuro. Outras viveram no presente e falaram do passado.
Uma dessas pessoas foi Josep Mascaró Passarius. Essa pessoa tao especial, fez um trabalho muito importante, e nao sempre reconhecido, tanto para os estudiosos da língua como os da pré-história.
Para os estudiosos dos topônimos, ele recolheu no seu famoso "Mapa General de Mallorca", os nomes dos lugares, fazendas, vilas, cidades, montanhas, torrentes, vales etc. marcando também os lugares onde ainda existiam ruinas de monumentos pré-históricos.
Esse mapa, feito a mao. foi um esfôrço titânico, levou dez anos (1952-62) num momento onde o exército espanhol proibía fazer a topografia do terreno, entao ele teve que fazer o releve, marcando as montanhas pela sua altura, sem as curvas de nivel.
Ele ia fazendo todos os caminhos com as casas, igrejas, cemitérios, marcando o nome de cada coisa, também na costa, os lugares de pesca, as calas e praias etc.
A partir do mapa ele fez os livros "Corpus de Toponimia de Mallorca" onde se recopila todos os nomes e na palavra "talaiot" ele dedicou dos volumes, descrevendo o estado da questao, a descriçao de muitos monumentos e outros elementos da pré-hist. e um estudo sobre os arqueólogos que investigaram essa época.
Foi o trabalho dum homem extraordinário que como dizia o flilólogo e sacerdote Antoni Mª Alcover: "Neix un cada cent anys i quasi mai sura". Isso é: Nasce um cada cem anos e quase nunca sobrevive.
Nascido em Menorca, Josep Mascaró Passarius foi uma pessoa que se interessou por muitos temas, pelas viagens, pela arte, pela vida, Seria o que dizemos um humanista.
O seu trabalho foi fundamental para salvar um patrimônio, como é a toponimia, que se ia degradando, tanto pelo turismo, como pela influência da língua castelhana, e também pela incultura e ignorância dos mesmos mallorquines.
Ele também fez o primeiro catálogo para a proteçao dos monumentos pré-históricos de Mallorca e Menorca de toda a Espanha (1967), os mapas de Menorca, Eivissa e Formentera assim como coordinou a "História de Mallorca" e a "Gran Enciclopédia de Mallorca", colaborou com Joan Corominas no "Onomasticon Cataloniae" etc.
Sabemos que ninguém é imprescindível, mas Mascaró Passarius era necessário, tomara houvesse meia dúzia como ele!

lunes, 26 de enero de 2009

ILHA ANTIGA-3





"Hubo un tiempo en que los habitantes de las Baleares eran iguales unos a otros. No había ni ricos ni pobres, ni jefes ni subordinados, ni élites ni pueblo llano; todos, cualquiera que fuera su circunstancia, tenían acceso a los mismos bienes materiales: no había clases sociales."

"Enigmas de la Arqueología balear": Javier Aramburu-Zabala

NAVIFORMES E NAVETAS: AS PRIMEIRAS CASAS, AS PRIMEIRAS TUMBAS.

Depois duma etapa, bastante desconhecida, já que os seus restos materiais sao bastante escassos. Aparecem as primeiras casas, chamadas "naviformes" (pela sua forma de nau boca a baixo). Essas casas feitas de grandes pedras: com dobre parede, recheia de pequenas pedras, unidas em seco e provavelmente com telhado de madeira e palha; formaram verdadeiros povoados, ainda que também se encontrem algumas solitárias.

Estudiosos como o prof. Aramburu ou o prof. Salvá, fazem um análise dessa época como um período de paz com uma economia pastoril, até bucólica, com uma cerâmica fina e bem cuidada.

Essas construçoes se enquadram dentro da etapa que se conhece como "PRETALAIÓTICA" (1700-1100 a.C.), já que abarcaria a etapa anterior a cultura "TALAIÓTICA" (cultura estrela de Mallorca e Menorca).

Essas casas tinham um lar, uma pequena varanda diante e algumas aparecem justapostas com outras, fazendo grupos de dos, três e até quatro naviformes.

As NAVETAS, em Menorca, é um tipo de construçao similar, porém muito mais monumental, cuja funçao seria a de tumba de enterramento, sendo a "Naveta des Tudons" a mais famosa, nao só pela sua ótima restauraçao senao pela sua grandeza, funçao e localizaçao.

Em Pollença (Mallorca), existe um vale, desconhecido pela maioria das pessoas, que esconde uma serie de "naviformes" bastante bem conservadas e separadas por um pequeno riacho, que leva águas cristalinas.

Algumas covas nas montanhas e um silêncio que enche o espírito. Zona de antigos ermitaos, esse lugar privilegiado tem um pequeno estreito do qual se pode ver a Bahia de Pollença com o trânsito, os barcos e toda a sua tribulaçao.

Outro mundo, nesse mundo. Outro tempo, nesse tempo!

martes, 13 de enero de 2009

A ILHA DA TRADIÇAO-4





"BETLEM"

Essa palavra designa nas Ilhas Baleares a representaçao figurada do mistério do nascimento de Jesus, em port. presépio e em cast. pesebre.

Instala-se nas igreijas e casas particulares durante o tempo litúrgico do Natal.

Esse costume teve sua origem em Mallorca a partir dumas figuras procedentes de Nápoles (S.XV). Todo o conjunto estava composto dentro duma cova como o "betlem" de san Giovani a Carbonara (Nápoles).

A partir das igrejas e conventos foi passando as casas, com figuras feitas de barro, papel e até plástico e com o passar do tempo foi aparecendo diferentes personagens.

O "caganer" é um deles, representa um pastor fazendo cocô perto da sagrada família (esse personagem representaria a gente que passa das festas e que vai à sua). Outro é o ermitao (nao tao famoso como o primeiro e que está meio escondido e que as crianças o tem que achar) e muitos outros que representam ofícios e costumes do campo mallorquin.

As fotos do "Betlem" sao da casa da tia Margot, está feito com muito trabalho e carinho.

Tanto ela como a sua irma, a tia Encarnita, tem sempre as portas abertas, tanto as das suas casas como as dos seu coraçoes.

miércoles, 24 de diciembre de 2008

A ILHA DO NATAL



O CANTO DO FIM DO MUNDO.

"La jorn del Judici

parrà el qui farà servici."

(...)

"Gran foc del cel davallarà;

mars, fonts i rius tot cremarà.

Daran los peixos horrible crits

perdent los naturals delits." (...)

Hoje, na véspera do Natal, essa cançao vai soar nas igreijas de Mallorca, antes da missa do galo.

O Canto da "Sibil.la" é o que resta duma representaçao litúrgica de Natal da época medieval (S.X).

É uma tradiçao que foi comum em bastantes zonas do Mediterrâneo, mas somente sobreviveu na nossa ilha.

É um tipo de canto que faz um menino, menina ou mulher; parecido ao gregoriano.

A criança vai vestida com uma túnica e leva uma espada nas maos, que mantem erguida durante a cançao.

Algumas vezes se acompanha com o orgao e é um espetáculo impressionante escutar a voz, a música e o silencio da gente.

A cançao fala do fim do mundo e da salvaçao dos crentes.

Mas como cremos que o mundo tem muita corda por diante, eu desejo a todo mundo:

FELIZ NATAL

E PRÓSPERO ANO 2009 !!!

Até o ano que vem!

Paula Martha.

miércoles, 3 de diciembre de 2008

A ILHA DA TRADIÇAO-3





As Casas de Neve (Nevaters)

Um antigo oficio, hoje desaparecido, ia ligado ao inverno, a época das neves.

Esse trabalho era o dos "nevaters", que vigiavam o tempo e quando sabiam que ia a fazer neve, subiam a montanha e recolhiam a neve em casas construidas para isso, "cases de neu".

Essas casas se faziam em partes onde nao pegava o sol e estava a bastante altura, que no caso de Mallorca é uns mil metros (a montanha mais alta, o "Puig Major" faz 1.450m.).

Fazia-se um buraco no chao, de forma quadrada ou de elipse e se forrava a parede com pedras e depois se botava um telhado, feito de madeira e mato, com aberturas onde os "nevaters" botavam a neve. Uma vez que faziam uma capa de certa largura, começavam a pisar e pisar até compactar a neve em gelo (o faziam descalços) e depois o tapavam com "càrritx", uma espécie de mato. Faziam muitas capas até chegar ao telhado e o deixavam lá.

Quando chegava o verao, eles subiam a montanha e baixavam o gelo, com ajuda de burros e asnos, em peças, tapadas de mato e geralmente pela noite até as vilas e cidades, tanto para a gente como para hospitais e cafés.

Com a eletricidade começou a fazerem-se gelo e mais modernamente, surgiram à geladeira e o congelador, etc.

Desse trabalho só restam às casas de neve na montanha e uma cançao popular que diz:

"Pitgem sa neu

tots estan dins les cases

peguen potades

Antoni, en Joan i n'Andreu."

miércoles, 19 de noviembre de 2008

A ILHA DA GENTE



"S'ARXIDUC"

Dizem que chegou a Mallorca fugindo da pérdida da sua amada, que morreu num desgraçado acidente (o seu vestido pegou fogo e ela morreu queimada diante dele). O feito é que o arquiduque Lluis-Salvador D'Habsburg-Lorena (1847-1915) foi uma pessoa especial.

Aristocrata, culto, grande viageiro (com o seu iate Nixe viajou pelo mundo e, sobretudo pelo Mediterrâneo), desembarcou na nossa ilha e prá ela dedicou a sua obra mais importante "Die Balearen in Wort un Bild geschildert" ( As Baleares descritas pela palavra e o desenho). Vários volumes dedicados a natureza, geografia, antropologia etc. das Ilhas Baleares.

Com excelentes gravados e desenhos, é uma fonte de conhecimento das nossas ilhas do final do século XIX e princípios do XX.

O seu amor foi a costa Norte da ilha de Mallorca. Se apaixonou da sua beleza, da natureza humanizada , mas virgem e pura.

Pouco a pouco foi comprando as terras e casas da zona. A primeira foi Miramar, onde o escritor e predicador medieval Ramon Llull tinha vivido e fundado uma escola de línguas orientais.

Dizem que uma vez ele, nos seu passeios, ouviu que cortavam uma oliveira, e para que nao cortassem mais árvores, comprou as terras por um valor muito superior. No dia seguinte, eram muitos camponeses que se puseram a cortar árvores.

Parente do emperador de Áustria e da famosa Sissí, que veio a visitar-lo em Mallorca e que ele descreveu quando ela falava com a camponesa Catalina Homar, comparando as duas mulheres, escrito que causou escândalo na corte austríaca.

"S' Arxiduc", como lhe chamavam em Mallorca, era um ecologista quando essa palavra ainda nao existia, impulsor do turismo, quando ainda nao existiam turistas, senao viageiros, viu em Mallorca as belezas onde os seus habitantes só viam trabalho.

Ele era romântico, excursionista, fez construir o primeiro refugio de montanha da Espanha e que para nossa vergonha está em bastante mal estado, quando deveria estar restaurado com plaquinha e tudo.

Quem como nós amamos a montanha, sentimos por ele uma imensa admiraçao, já somos conscientes que ele era rico, aristocrata, vamos que nao tinha nada que fazer, mas soube aproveitar o seu tempo e nele estava o domínio de catorze línguas, entre elas a catalana, o conhecimento das ilhas e da sua gente, o amor pela beleza. Quem vê uma posta de sol na costa Norte, nao esquece nunca, pois fica gravado no seu coraçao.

"S'Arxiduc" morreu em 1915, no principio da primeira guerra mundial, nao sei se era consciente que essa guerra terminou com seu mundo, com seu império, mas sua herança ainda vive no seus livros, nas suas antigas propiedades, que mantém a sua beleza e no crepúsculo no mar onde ainda se respira o romanticismo.

lunes, 10 de noviembre de 2008

A ILHA DA COZINHA-3


BERINJELAS RECHEIAS ("AUBERGÍNIES FARCIDES)
Esse é um prato que se pode comer tanto em inverno como em verao. Isso é quente ou frio.
Antes da Guerra civil espanhola, a gente da minha cidade o levava para a praia, para jantar perto do mar e bater papo, todo olhando o mar e as estrelas.
A minha mae me contava que quando tinha cinco anos, foi o seu último jantar pertinho do mar, já que veio a guerra e depois a fome do pós-guerra e nao o voltaram a fazer, ao menos com sua família.
É um prato fácil de fazer e consiste em: Berinjelas, carne moída (de vaca ou porco misturado), alho, um ovo, sal, pimenta, farinha de rosca e "sobrassada" (que se pode substituir por algum embutido gostozinho).
Botamos a cozer as berinjelas, partidas pela metade, até que estejam macias, depois tiramos com uma colher a sua poupa e colocamos as berinjelas dentro de uma forma, que possa ir ao forno. Misturamos a carne, o alho em pedacinhos, a poupa, o ovo batido e um pouco de sal e pimenta.
Colocamos o recheio dentro das berinjelas, o cobrimos com pedacinhos de "sobrassada" ou outro embutido e a farinha de rosca, um pouco de azeite e ao forno.
Quando o recheio esteja cozido, deixamos gratinar um pouco e já está pronto para servir.
Pode-se acompanhar dum molho de tomate e arroz branco.
É um prato muito mediterrâneo e se pode comer tanto diante da lareira como perto do mar, olhando as estrelas...

lunes, 27 de octubre de 2008

A ILHA LITERÁRIA-2



SÓLLER

El cel prepara secrets

murmuris de mandarina.

I les riberes del vent

esgarrien taronjades.

Jo tasto vergers. M'ajec

damunt valls encoixinades.

Les fulles alcen frescor

i aixequen ventalls de gràcia,

cortinatges de perfum,

cortesies tremolades.

L'oratge pinta perfils

de caramel dins l'oratge.

El cabell se m`ha esbullat

i tinc l'ombra capgirada.

El sucre de l'aire em fa

pessigolles a la cara,

amb confitures de flor

i xarops d'esgarrifança.

Unes cuixes de marquesa

em repassen l'espinada.

Quan el setí es torna gel,

sembla que es faci de flama.

El vicari compareix

amb un vas de llet glaçada.

La suor de les aixelles

li travessa la sotana.

Bartomeu Rosselló-Pòrcel (1913-1938)

A ditadura de franco, depois da Guerra Civil espanhola (1936-1939), trouxe um verdadeiro genocídio cultural , físico e ideológico, tanto do povo de fala catalana (Catalunha, Valência e as Ilhas Baleares), senao também de Galícia e como nao do povo Vasco.

Esse genocídio tinha uma idéia muito clara, fazer da Espanha um país com uma só ideologia, uma só língua, uma só religiao e como nao um só govêrno.

O conseguiu durante quarenta anos.

Os meus pais nunca falaram em castelhano entre eles, mas eram obrigados a fazê-lo na escola e em outro âmbitos. A língua castelhana era a única que eles sabiam ler e escrever, desconhecendo quase tudo da sua própria.

Eu tive melhor sorte, com a transiçao política, uma vez môrto o ditador, eu pude conhecer a cultura da minha gente, tanto a popular como a literária.

Porém essse processo foi lento, pelo caminho ficaram muita gente, muitos escritores que depois da guerra foram esquecidos e ignorados, entre eles temos a Bartomeu Rosselló-Pòrcel, ele morreu muito jovem, de tuberculose, mas deixou poemas tao lindos como o que eu coloquei, que leva o nome da minha cidade.

A democrácia foi abrindo caminhos, pouco a pouco foi aparecendo artigos nos jornais, rádio, televisao na nossa língua.

Todo esse esfôrço teve e tem gente em contra. Eles dizem besteiras, qualquer coisa para destruir a nossa cultura. Eles usam a língua, mas é que vai contra tudo aquilo que a nossa sociedade democrática foi ganhando com o tempo.

Agora o meu filho sabe e conhece as duas línguas, as pode ler e escrever perfeitamente. Na minha casa olhamos a televisao em catalao e castelhano, eu escrevo e leio também em português, tenho amigos galegos com quem posso falar e nao digo dos brasileiros, adoro a literatura castelhana assim como a portuguesa e a catalana e sinto nao saber a vasca, mas tudo ao tempo.

O respeito por todas as culturas e o amor a liberdade, esse é o nosso horizonte de futuro, nao quero outro.

miércoles, 15 de octubre de 2008

A ILHA DA SOLIDARIDADE





Viver numa ilha é como viver num mundo, mas em pequeno.
Tudo o que passa fora, também passa dentro e como vivemos num mundo tão globalizado, não se pode viver sem sentir todos os problemas e injustiças que afetam o nosso planeta.
A nossa ilha, onde a pobreza era atávica, viveu durante os últimos 60 anos, com a vinda do turismo, uma explosao de riqueza e bem-estar, que fez que outras pessoas, da Península primeiro e agora até de outros continentes, viessem buscando essa nova qualidade de vida.
A riqueza da nossa terra, que vem da sua beleza e do seu clima, nao podem tapar os núcleos de pobreza que existem.
Viúvas e velhinhos sem família, marginados da sociedade, desempregados, jovens sem casa, crianças com famílias desestruturadas etc.
A sociedade malhorquina tem feito um esforço para ajudar essas pessoas a sair dessa situação difícil, que a todos nos pode afetar.
Cáritas, Projecte Home, Cruz Vermelha, Serviços Sociais etc.
Existe também, como não, a pobreza, até miséria, que passa na África e que se agrava com doenças, que na Europa nao tem lugar pelas suas condições de vida.
Uma dessas doenças, a NOMA (uma bactéria que destroça a cara das pessoas), tem num grupo de malhorquines, uns grandes lutadores, tanto para evitar essa enfermidade, como para procurar, com a cirurgia plástica, restituir as feições da cara dessas crianças para que possam voltar a sorrir.
A "FUNDACIÓ CAMPANER" luta para que com uma boa alimentação, higiene e penicilina, esse problema tenha solução.
Muitas vezes o esforço econômico não é tão grande como o valor e a vontade de muitas pessoas.
Quem sabe um dia, a pobreza vai ser só um recordo do passado!

Participante do "Blog Action Day 2008"

martes, 7 de octubre de 2008

A ILHA ECOLÓGICA



"SALVEM SA DRAGONERA"

Faz uns trinta anos, um grupo de jovens, a maioria menores de idade, decidiu fazer um gesto, ao qual vamos agradecer toda a vida.
Eles resolveram invadir e ocupar a pequena ilha de "Sa Dragonera".
Essa ilha, que está no poente de Malhorca e pertence ao município de Andratx; estava baixa a ameaça duma empresa "Patrimonial Mediterránea S.A.", cuja idéia era urbanizar a zona com um cassino, hotel, heliporto e um bairro para trabalhadores.
No dia 7 de julho de 1977 (fazia pouco das primeiras eleiçoes democráticas na Espanha), esses jovens valentes, alugaram uma barca e com alguns víveres foram para a ilha e alí botaram um grande cartel que dizia: "Salvem Sa Dragonera".
Malhorca, naquela época, vinha sofrendo um processo de urbanizaçao brutal que até criou um neologismo "balearització", que significa construir duma maneira selvagem, sem planificaçao e sem respeito para o meio ambiente com a intençao de especular com a terra e os edifícios. Esse processo dura até agora.
Bem no que íamos, esses jovens foram atacados pelos partidos políticos e tratados de loucos, atrasados e que queriam impedir o progresso.
Mas eles recebiam o apoio de mais de trezentas pessoas (escritores, artistas, jornalistas etc.), que mantinha o contato entre "Sa Dragonera" e Malhorca.
Nós, (os estudantes), comprávamos pôsteres, propaganda etc. para ajudar aqueles jovens.
Foi uma mobilizaçao da sociedade, de gente de diferentes ideologias, mas amantes da natureza.
Esse feito durou até que houve um acordo em comprar a ilha por parte das autoridades.
Em 1987 (10 anos depois), o "Consell de Mallorca" (govêrno autônomo da Ilha) comprou "Sa Dragonera" e em 1995, ela foi declarada "Parque Natural".
Hoje em dia você pode visitar e passear por ela. Ali vivem aves e umas pequenas lagartixas, que aquí dizemos "dragons", em liberdade, pois as ilhas pequenas sao o seu último refúgio.
Os "dragons", a vegetaçao, a paisagem e o mar fazem dessa ilha um lugar maravilhoso.
A vingança veio depois, já que a costa de Andratx foi urbanizada duma forma tao selvagem que faz mal nos olhos, mais isso eu vou contar mais adiante.
O importante é que aqueles jovens, hoje gente trabalhadora, pais e maes de família, foram capazes de fazer do seu sonho, uma realidade.
Eles nao eram muito conscientes do que passaria, mas graças a eles o Dragao venceu a máquina escavadora e o sonho fez-se real como um conto de fadas.